domingo, 21 de dezembro de 2014

VOCÊ PENSA QUE É FÁCIL SER UM DOUTRINADOR????

Texto extraído do Livro “Não há mais Tempo” 
(Espírito Atílio, pelo médium Agnaldo Paviane)

“... nosso dirigente espiritual pediu-nos que estivéssemos muito vigilantes com os pensamentos, porque ele permitiria que um espírito de relevante envergadura intelectual falasse ao grupo de encarnados. Explicou-nos que se tratava de astuto líder das trevas. Esclareceu ainda que o médium iria apenas captar o pensamento do espírito que não estaria ele presente, digamos pessoalmente na reunião mediúnica.

O espírito que estava a uns 5 quarteirões do local da reunião, iniciou o diálogo com o doutrinador encarnado. Diálogo este que narro, de maneira sucinta:
- Quem está no comando?
- Jesus é o nosso comandante, meu irmão, e antes de tudo, digo-lhe: seja bem vindo à nossa reunião.
- Em primeiro lugar, meu caro, se esse grupo, verdadeiramente, estivesse a serviço do Cristo, não haveria tanta desunião entre vocês, afinal estão do mesmo lado, nessa guerra ou não?

Antes que o doutrinador respondesse, o espírito continuou a expor seu raciocínio, com muita calma.

- Em segundo lugar, acho que sua resposta, em verdade, retrata sua covardia, seu medo de assumir maiores responsabilidades na causa que diz servir; em terceiro lugar, não acredito nesse seu “bem-vindo” comumente observo a sua impaciência e irritação, diante daqueles que trabalham com você nesta Casa
Espírita, como vou acreditar que sou bem vindo, se vocês todos não tem afeto uns para com os outros? E por último, não sou seu irmão.
- Então você não acredita que é filho de Deus?
- E você acredita? Creio que não, se realmente o senhor tivesse fé nesse seu Deus, não acumularia tanta revolta e tantas incertezas no coração.
- Caro amigo, não estamos aqui para falar de mim, mas sim de você.
- O que foi? Acaso está com medo? Não seja tão arrogante, só porque leu meia dúzias de livros, acha que pode doutrinar os espíritos e convertê-los a sua religião?
- Não se trata disso, queremos ajudá-lo.
- E quem ajuda vocês? Quando alguém tem a iniciativa de ajudar um outro, supõe-se que quem vai ajudar, esteja em paz consigo mesmo, e sinceramente, vejo diante de mim alguém que ainda não aplicou na própria vida, o que tenta ensinar aos outros.
- Quanta prepotência, o que lhe faz pensar que você é melhor que eu? Acaso você me conhece? Sabe da minha história? Todos vocês nesta sala, estão se escondendo atrás das suas mediunidades, dos seus cargos ou das suas obras sociais; escondem-se porque não tem coragem de admitir quem são de verdade.
- Caro amigo, compreenda que todos nós temos nossos desafios, nossas falhas; a diferença é que nós nesta sala, já estamos fazendo o bem e você ainda prefere a condição de obsessor.
– E quem disse a você que sou um obsessor? Só porque adotei um sistema de vida diferente do seu você se acha no direito de me qualificar como um obsessor? Desça do pedestal de sua arrogância e converse comigo de igual para igual, porque é isso que somos; iguais. A diferença é que eu assumo que estou a serviço das trevas e vocês se dizem estar a serviço do Cristo, mas em verdade objetivam satisfazer o próprio ego. Ao que me consta esse seu Jesus era simples, desprendido e pregava o amor. E o que vejo aqui, é um bando de gente falando em nome Dele, mas no fundo, estão interessados em aparecer, em serem reconhecidos publicamente ou estão almejando este ou aquele cargo dentro da filosofia religiosa que dizem pregar.

Mediante aquelas colocações, o doutrinador perdeu o controle e ameaçou perder a compostura. O que mais me deixava aflito era ver que o dirigente espiritual apenas acompanhava o diálogo sem fazer nada. Foi nesse momento que, o dirigente da reunião pediu que o doutrinador se calasse e assumiu o diálogo, dizendo:
- Não vou mais chama-lo de irmão, entenda, é um hábito.
– Eu entendo, afinal, a maioria de vocês espíritas são assim, decoram suas falas, memorizam alguns textos evangélicos, utilizam alguns adjetivos bonitinhos e acham que com isso vão doutrinar aqueles que vocês adoram definir como obsessores.
- No fundo, estamos tentando fazer você entender que Jesus é o caminho.
- Se Ele é o caminho, por que você não segue com o coração, em vez de trazê-lo apenas nos lábios?
- Se você não parar de nos ofender pedirei que se retire.
- Ah! Parece que o senhor não tem mais argumentos.
- Nosso argumento é o amor.
- Então eu tenho razão, o senhor não tem mais argumento. Não vejo esse amor no coração de vocês, inclusive, o senhor que me dirige a palavra, por que não vai falar de amor com o seu filho que está perdido na vida, graças à ausência paterna?
- Isso é mentira, tenho sim me ausentado com frequência, mas isso se deve aos meus muitos compromissos na seara espírita.
- Mentira sua, na verdade você não suporta sua família, nunca foi um exemplo de pai e ainda tenta responsabilizar o Centro Espírita pelos seu erros? Isso é o cúmulo!

... O ambiente ficou extremamente tenso. O benfeitor espiritual continuava em silêncio, apenas observando. Neste momento uma jovem que fazia parte do grupo de médiuns encarnados, solicitou a palavra e dirigindo-se fraternalmente ao espírito comunicante, disse-lhe:

- Somos espíritos em luta, sabemos que possuímos inúmeras mazelas morais, não há necessidade de o senhor nos atirar a verdade sobre nós mesmos, em nossa face. Todos aqui somos crianças espirituais, mas estamos nos esforçando para melhorar, gostaria de saber por que nos trata dessa forma?

O espírito comunicante sorriu, através da boca do “aparelho mediúnico”, e de maneira bastante serena, arrematou a conversa:
– Até que enfim alguém coerente neste grupo. Não estou aqui para ser doutrinado, apenas venho trazer um recado a todos vocês. Admite-se que sejam crianças espirituais, não se aventurem em fazer um trabalho de gente grande. Se realmente querem fazer frente as inteligências das trevas, aprendam primeiro a representar bem o vosso Nazareno. Além do que, como vocês podem levar a luz se se encontram nas trevas? Não sejam tão prepotentes e não subestimem as inteligências do mal, pois caso contrário, aniquilaremos este grupo.
- O senhor está nos ameaçando?
- Não! Estou apenas colocando-os em contato com a realidade. Quando um grupo religioso, espírita ou não espírita decide ir além de fazer sopa para os famintos e realizar uma pregação hipócrita dentro de suas casas religiosas, eles precisam saber em que estão mexendo. Como disse, trago um aviso, apenas um aviso.
- Mas se o senhor mesmo disse que não é nosso irmão e não tem simpatia pelos nossos ideais, por que está nos alertando?
- Para que, quem sabe, vocês acordem e aí sim possamos ter um inimigo a nossa altura. Adeus.

Dizendo isso o espírito se retirou, sem que o benfeitor o detivesse.

Fiquei pensativo após assistir aquele diálogo. Eu sabia que aquele grupo de encarnados estava, desde há muito tempo vencendo o fantasma do tal “antidoutrinário”, incorporando em suas reuniões, tratamentos com técnicas de apometria e outros tratamentos que tinham a presença de pretos velhos. Sabia também que o grupo enfrentava grandes dificuldades de relacionamento. Mas pensava comigo, será que aquele diálogo não poderia ter um efeito negativo no grupo?

O benfeitor que nos acompanhava, lendo os meus pensamentos, disse me:
...- Já que o grupo não ouve os benfeitores, quem sabe, ouçam aqueles que, no momento, recebem a definição de malfeitores...”.

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