Texto extraído do Livro “Não
há mais Tempo”
(Espírito Atílio, pelo médium Agnaldo Paviane)
“... nosso dirigente
espiritual pediu-nos que estivéssemos muito vigilantes com os pensamentos,
porque ele permitiria que um espírito de relevante envergadura intelectual
falasse ao grupo de encarnados. Explicou-nos que se tratava de astuto líder das
trevas. Esclareceu ainda que o médium iria apenas captar o pensamento do
espírito que não estaria ele presente, digamos pessoalmente na reunião
mediúnica.
O espírito que estava a uns 5
quarteirões do local da reunião, iniciou o diálogo com o doutrinador encarnado.
Diálogo este que narro, de maneira sucinta:
- Quem está no comando?
- Jesus é o nosso comandante,
meu irmão, e antes de tudo, digo-lhe: seja bem vindo à nossa reunião.
- Em primeiro lugar, meu caro,
se esse grupo, verdadeiramente, estivesse a serviço do Cristo, não haveria
tanta desunião entre vocês, afinal estão do mesmo lado, nessa guerra ou não?
Antes que o doutrinador
respondesse, o espírito continuou a expor seu raciocínio, com muita calma.
- Em segundo lugar, acho que
sua resposta, em verdade, retrata sua covardia, seu medo de assumir maiores
responsabilidades na causa que diz servir; em terceiro lugar, não acredito
nesse seu “bem-vindo” comumente observo a sua impaciência e irritação, diante
daqueles que trabalham com você nesta Casa
Espírita, como vou acreditar
que sou bem vindo, se vocês todos não tem afeto uns para com os outros? E por
último, não sou seu irmão.
- Então você não acredita que
é filho de Deus?
- E você acredita? Creio que
não, se realmente o senhor tivesse fé nesse seu Deus, não acumularia tanta
revolta e tantas incertezas no coração.
- Caro amigo, não estamos aqui
para falar de mim, mas sim de você.
- O que foi? Acaso está com
medo? Não seja tão arrogante, só porque leu meia dúzias de livros, acha que
pode doutrinar os espíritos e convertê-los a sua religião?
- Não se trata disso, queremos
ajudá-lo.
- E quem ajuda vocês? Quando
alguém tem a iniciativa de ajudar um outro, supõe-se que quem vai ajudar,
esteja em paz consigo mesmo, e sinceramente, vejo diante de mim alguém que
ainda não aplicou na própria vida, o que tenta ensinar aos outros.
- Quanta prepotência, o que
lhe faz pensar que você é melhor que eu? Acaso você me conhece? Sabe da minha
história? Todos vocês nesta sala, estão se escondendo atrás das suas
mediunidades, dos seus cargos ou das suas obras sociais; escondem-se porque não
tem coragem de admitir quem são de verdade.
- Caro amigo, compreenda que
todos nós temos nossos desafios, nossas falhas; a diferença é que nós nesta
sala, já estamos fazendo o bem e você ainda prefere a condição de obsessor.
– E quem disse a você que sou
um obsessor? Só porque adotei um sistema de vida diferente do seu você se acha
no direito de me qualificar como um obsessor? Desça do pedestal de sua
arrogância e converse comigo de igual para igual, porque é isso que somos;
iguais. A diferença é que eu assumo que estou a serviço das trevas e vocês se
dizem estar a serviço do Cristo, mas em verdade objetivam satisfazer o próprio
ego. Ao que me consta esse seu Jesus era simples, desprendido e pregava o amor.
E o que vejo aqui, é um bando de gente falando em nome Dele, mas no fundo,
estão interessados em aparecer, em serem reconhecidos publicamente ou estão
almejando este ou aquele cargo dentro da filosofia religiosa que dizem pregar.
Mediante aquelas colocações, o
doutrinador perdeu o controle e ameaçou perder a compostura. O que mais me
deixava aflito era ver que o dirigente espiritual apenas acompanhava o diálogo
sem fazer nada. Foi nesse momento que, o dirigente da reunião pediu que o
doutrinador se calasse e assumiu o diálogo, dizendo:
- Não vou mais chama-lo de
irmão, entenda, é um hábito.
– Eu entendo, afinal, a
maioria de vocês espíritas são assim, decoram suas falas, memorizam alguns
textos evangélicos, utilizam alguns adjetivos bonitinhos e acham que com isso
vão doutrinar aqueles que vocês adoram definir como obsessores.
- No fundo, estamos tentando
fazer você entender que Jesus é o caminho.
- Se Ele é o caminho, por que
você não segue com o coração, em vez de trazê-lo apenas nos lábios?
- Se você não parar de nos
ofender pedirei que se retire.
- Ah! Parece que o senhor não
tem mais argumentos.
- Nosso argumento é o amor.
- Então eu tenho razão, o
senhor não tem mais argumento. Não vejo esse amor no coração de vocês,
inclusive, o senhor que me dirige a palavra, por que não vai falar de amor com
o seu filho que está perdido na vida, graças à ausência paterna?
- Isso é mentira, tenho sim me
ausentado com frequência, mas isso se deve aos meus muitos compromissos na
seara espírita.
- Mentira sua, na verdade você
não suporta sua família, nunca foi um exemplo de pai e ainda tenta
responsabilizar o Centro Espírita pelos seu erros? Isso é o cúmulo!
... O ambiente ficou
extremamente tenso. O benfeitor espiritual continuava em silêncio, apenas
observando. Neste momento uma jovem que fazia parte do grupo de médiuns encarnados,
solicitou a palavra e dirigindo-se fraternalmente ao espírito comunicante,
disse-lhe:
- Somos espíritos em luta,
sabemos que possuímos inúmeras mazelas morais, não há necessidade de o senhor
nos atirar a verdade sobre nós mesmos, em nossa face. Todos aqui somos crianças
espirituais, mas estamos nos esforçando para melhorar, gostaria de saber por
que nos trata dessa forma?
O espírito comunicante sorriu,
através da boca do “aparelho mediúnico”, e de maneira bastante serena,
arrematou a conversa:
– Até que enfim alguém
coerente neste grupo. Não estou aqui para ser doutrinado, apenas venho trazer
um recado a todos vocês. Admite-se que sejam crianças espirituais, não se
aventurem em fazer um trabalho de gente grande. Se realmente querem fazer frente
as inteligências das trevas, aprendam primeiro a representar bem o vosso
Nazareno. Além do que, como vocês podem levar a luz se se encontram nas trevas?
Não sejam tão prepotentes e não subestimem as inteligências do mal, pois caso
contrário, aniquilaremos este grupo.
- O senhor está nos ameaçando?
- Não! Estou apenas
colocando-os em contato com a realidade. Quando um grupo religioso, espírita ou
não espírita decide ir além de fazer sopa para os famintos e realizar uma
pregação hipócrita dentro de suas casas religiosas, eles precisam saber em que
estão mexendo. Como disse, trago um aviso, apenas um aviso.
- Mas se o senhor mesmo disse
que não é nosso irmão e não tem simpatia pelos nossos ideais, por que está nos
alertando?
- Para que, quem sabe, vocês
acordem e aí sim possamos ter um inimigo a nossa altura. Adeus.
Dizendo isso o espírito se
retirou, sem que o benfeitor o detivesse.
Fiquei pensativo após assistir
aquele diálogo. Eu sabia que aquele grupo de encarnados estava, desde há muito
tempo vencendo o fantasma do tal “antidoutrinário”, incorporando em suas
reuniões, tratamentos com técnicas de apometria e outros tratamentos que tinham
a presença de pretos velhos. Sabia também que o grupo enfrentava grandes
dificuldades de relacionamento. Mas pensava comigo, será que aquele diálogo não
poderia ter um efeito negativo no grupo?
O benfeitor que nos
acompanhava, lendo os meus pensamentos, disse me:
...- Já que o grupo não ouve
os benfeitores, quem sabe, ouçam aqueles que, no momento, recebem a definição
de malfeitores...”.
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